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Uma Reflexão para o Tempo da Quaresma pelo Rev. Thomas Athian Lual, SJ -Portuguesse

Segundo Domingo da Quaresma: Génesis 15, 5-12.17-18 / Filipenses 3,17-4,1 / Lucas 9, 28b-36

O Rev. Diácono Thomas Athian Lual, SJ, membro da Província da África Oriental (AOR), originário de Wau, no Sudão do Sul, trabalha atualmente como Capelão da Escola Secundária Loyola, em Dar es Salaam, na Tanzânia. A sua reflexão centra-se no Evangelho de Lucas (9, 28b-36) e o tema é Transformação e Mudança.

 O Evangelho deste Domingo é tirado de S. Lucas (9, 28b-36), e é-nos dito que Jesus tomou consigo alguns dos seus discípulos para longe do barulho e da atividade da vida quotidiana e levou-os para o cimo de um monte. Este facto é já um pouco estranho, pois sabemos a partir dos Evangelhos que Jesus se dirige muitas vezes para o cimo do monte para rezar a sós. Enquanto se encontram no monte, acontece algo de muito estranho e nada habitual. As vestes de Jesus alteram-se de uma forma espetacular; ele é transformado por meio de uma verdadeira metamorfose, o seu rosto brilha como o sol e as suas vestes ficam de uma brancura refulgente como a luz ardente. De repente, aparecem dois grandes profetas, Moisés e Elias, a falar com Jesus. As palavras espontâneas do Apóstolo Pedro constituem a sua oração: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias!”. Quem de nós não gostaria de se agarrar àquele momento de êxtase, de beleza e de revelação, tal como os apóstolos? Não é quando acontece esta transfiguração que somos retirados do turbilhão da vida quotidiana?

 À medida que prosseguimos a nossa caminhada neste tempo da Quaresma, façamos e imitemos o que a voz de Deus diz a cada um de nós: “Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-o”. E esta é a esperança a que somos chamados a acreditar neste tempo da Quaresma. Quando somos tentados a desistir, olhemos para Jesus transfigurado e transformado, para vermos nele o futuro prometido, não apenas na Páscoa, mas na plenitude do Reino de Deus.

 Enquanto abraçamos a caminhada quaresmal, Jesus Cristo continua a sua própria caminhada rumo a Jerusalém, durante a qual tem consciência do que o aguarda lá. Jesus será traído, negado, condenado e crucificado. Jesus possivelmente apercebe-se do medo e da ansiedade que os seus discípulos sentem e deseja tranquilizá-los para que permaneçam firmes na fé. Oferece-lhes um lampejo daquilo que está para acontecer; revela-se-lhes em toda a sua glória. Este breve vislumbre de Jesus em toda a sua glória destina-se também a nós hoje.

 Tal como os discípulos de Jesus, nós também podemos sentir medo, dúvida e falta de fé em Deus. Nós também devemos pedir a graça de sermos fortalecidos por Jesus Cristo, especialmente à medida que prosseguimos a nossa caminhada de fé. Nós também precisamos de saber que o nosso jejum, a nossa oração e a partilha do pouco que temos com o necessitado e o doente não são um fim em si mesmo, nem são em vão, mas sim para a maior glória de Deus. Dirigimo-nos para a ressurreição da nova vida da Páscoa, mas há ainda uma distância a percorrer. Que a transfiguração de Jesus ofereça a cada um de nós um sabor do que está para acontecer. Se partilharmos do sofrimento e da paixão de Jesus, partilharemos também da sua gloriosa ressurreição.